De Leve

Rap - Brasil

VIDA LEVE (by Aline de Lima)

VIDA LEVE (by Aline de Lima)

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@ Estrela da Lapa
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De Leve: inovando, incomodando e subvertendo o rap nacional!

O rap é um gênero que nasceu subversivo por natureza, através dele inúmeros MCs, DJs e seus grupos protestam, discursam e passam suas mensagens. De chinelo e bermuda florida, em 2000 à frente do Quinto Andar, o niteroiense Ramon Moreno de Freitas, conhecido como De Leve, deu um jeito de subverter o estilo.

As diferenças não eram gritantes só visualmente, também musicalmente falando, visto que o caminho escolhido ia na direção oposta às das rimas sisudas predominantes no cenário hip hop nacional. A criatividade e a ironia o levavam a um lugar de destaque, o fazendo romper fronteiras e – com o advento da internet – ir parar nos quatro cantos do país.

Sempre trabalhando de forma independente e produzindo seus trabalhos (ou com a ajuda dos amigos), De Leve lançou no segundo semestre de 2001 o EP “Introduzindo: De Leve” (Tomba Records). Na capa havia um carimbo avisando o conteúdo de suas sete músicas: “deboche explícito”. Fugir dos chavões e clichês lhe rendeu destaque tanto na grande, quanto na mídia especializada; o pontapé para a discórdia havia sido dado. Como tudo que é novidade e/ou diferente, houve quem amou ou odiou, definitivamente a indiferença passou longe.

Em 2003, De Leve assumiu de vez a postura de contestação em relação ao rap e soltou “Estilo Foda-se”, o EP é sinônimo de subversão, mas, acima de tudo, inovação. Mais uma vez lançado pela Tomba, com a mãozinha de DJ Castro e Bruno Marcus assinando a produção, a evolução foi mútua.

O trabalho abriu ainda mais portas ao rapper, acabou saindo em CD – com o anterior como bônus – pelo selo Segundo Mundo, de Dudu Marote, e rendeu passagens por programas de TV (Rede Globo, MTV, TVE, RedeTV), participação em trilhas sonoras (do seriado “Cidade dos Homens” e do quadro Mercadão de Sucessos, no Fantástico, ambos da Globo, do filme “Ódiquê”), apresentação no TIM Festival e participação em diversas coletâneas. Artistas como Caetano Veloso e Los Hermanos não lhe pouparam elogios, assim como alfinetadas foram trocadas com Marcelo D2, rendendo citações em músicas dos dois lados.

Não por menos, em 2006, De Leve o “homenageou” intitulando seu CD como “Manifesto ½ 171”, um de seus mais variados álbuns. Produzido por ele e Bruno Marcus (guitarra, teclado e cavaco), co-produzido, mixado e masterizado por Plínio Profeta, o trabalho tem tudo aquilo que circunda seu repertório, ou seja, ironia, ginga e belas rimas e sacadas; além de uma carga recheada de rap, funk, dub, eletrônico e ragga.

Em 2007, De Leve se juntou a Flu (ex-De Falla) e Luciano Granja (ex-Engenheiros do Hawaii) para formar o Leme. No projeto, o rapper usa sua voz de forma diferente, explorando mais as melodias que as rimas. Em 2008, o trio fez alguns shows pelo Rio de Janeiro e Sul do país e em janeiro de 2009 uma bombástica apresentação na Campus Party, em São Paulo (SP).

Sua versatilidade já lhe rendeu inúmeras parcerias – ao vivo ou em gravações – com nomes como KLJay (DJ do Racionais MCs), Instituto, Veiga e Salazar, Xis, João Brasil, B.Negão, A Filial, Black Alien, Nervoso, entre outros. À convite de Dado Villa-Lobos, diretor musical do filme “Os Porralokinhas” (Globo Filmes), gravou a música tema com Paula Toller (Kid Abelha).

Eis que chega abril de 2009 e o niteroiense exterioriza oficialmente seu personagem “De Love”. A princípio, como sempre fez, disponibilizou canções do projeto gratuitamente na internet – vale dizer que todos outros trabalhos estão na rede.

Depois de uma junção entre De Leve, Ideal Records (um dos selos que mais têm inovado no independente nacional) e CemporcentoSKATE (a revista de skate mais consolidada do país), o disco chega, por R$ 6, 90, às bancas de todo o Brasil encartado nos 35 mil exemplares.

Ao todo são 11 faixas, sendo que duas já são hits de seu pseudônimo Caramujo Sonolento (“Quem Disse Que Caramujo Não Tem Coração” e a clássica “A Lenda”, que com justiça agora chegam a CD), cinco já podiam ser ouvidas na internet e quatro inéditas.

“De Love” é, sim, um álbum de amor, mas acima de tudo de um sentimento que brinda à liberdade; seja de misturar, inovar, experimentar... O rapper adotou propositadamente um visual cafajeste satírico, num misto de crooner de churrascaria com rapstar gringo ostentador de jóias e dono de péssimo gosto. A cara de pau e o discurso, hoje, tido como politicamente incorreto aparecem nas agitadas “O Quê Que Nego Quer” e “Elas São Sinistras”.

Na abertura a tropical “Sempre A Caminhar” mostra uma brasilidade rítmica e na variação de entidades religiosas citadas. Um acento regional chega através do paraibano Totonho (sim aquele “d’os Cabra”!) na deliciosa “Pra Ser Filiz”, cheia de contraste de sotaques, batidas fortes, sopros e cavaco.

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